A DOR QUE SINTO NÃO É SÓ MINHA

Uma grande preocupação estava enraizada sob toda aquela dor: dar prazer ao companheiro. Sentia-se incapaz, como mulher, de satisfazer aos anseios do homem a quem se entregara. Logo ela, que havia se guardado por tanto tempo ao seu grande amor.

Muitas vezes, quando nos damos conta de algo não está de acordo com aquilo que idealizamos, parece que o nosso corpo sinaliza, como uma resposta natural ao contexto que nos rodeia: nossas inquietações e preocupações.

Foi descobrindo, através de perguntas tímidas e camufladas, se aquilo era normal; descobriu que não. Descobriu também, que a sua dor tinha não era só sua, não era uma apenas uma resposta à alguma disfunção física do corpo. A sua dor era uma reposta da sua preocupação.

Estabelecer esse elo a sensibilizou demais. Entender que a sua preocupação aliada à suposta ausência de prazer do outro eram as principais causas da dor no ato de fazer amor, frearam a sua busca de respostas.
Muitas vezes, quando nos damos conta de algo não está de acordo com aquilo que idealizamos, parece que o nosso corpo sinaliza, como uma resposta natural ao contexto que nos rodeia: nossas inquietações e preocupações.
É inegável, no entanto, que somente a partir desses momentos de “crise” é que damos início a um novo movimento e saímos timidamente do modo automático de vida, como bem falamos lá no primeiro texto. Esse processo pode trazer inquietações, físicas e mentais, que repercutindo diretamente nos nossos momentos de prazer, inclusive sexuais.
É, pois, um processo individual e vagaroso. Begônia, que é a flor ligada à cordialidade, timidez e lealdade no amor, barrou sua busca momentaneamente. Quando se trata uma disfunção sexual (como por exemplo a dor durante o sexo), acolhem-se (principalmente) as emoções envolvidas. Embora os elos entre os nossos sentimentos e atos sejam essenciais para o alcance do verdadeiro prazer, a busca por respostas deve respeitar nossos limites e ritmo de conhecimento. Em outro momento, Begônia sentirá novamente o corpo demonstrando a necessidade na busca de respostas às perguntas que insiste formular.
Sobre begônia: os limites individuais devem estar de acordo com os da conjugalidade. No entanto, isso só é possível, quando compreendemos nossos próprios limites (tema do texto anterior).

Escrito por Aline Vieira da Rocha e Joana Verani

EMOÇÃO X TESÃO: Porque é tão importante (in)formar-se.

Quando o assunto é ligado a sexualidade, nossa fala (quando existe) nunca é pura e simples. Há, inevitavelmente, um sentimento por trás, um receio pela exposição de um assunto tão mistificado e, porque não, lotado de muito preconceito de nós mesmos.

Antes, a virgindade, principalmente para o casamento, recebia uma veneração de maneira ampla e irrestrita.

Em parte, pode-se dizer que esse afastamento de uma fala natural com do sexo possui explicação quando nos atentamos para o decorrer histórico-evolutivo da sociedade. Desde a mais remota idade, a sexualidade humana é cercada de mitos, crenças e tabus; o seu tratamento, sua aceitação e concepção variam, portanto, conforme uma série de variáveis como o contexto social, religião, etc.

Assim, todo esse arcabouço histórico está enraizado no nosso subconsciente, bem como no meio em que estamos inseridos. Nossa criação, nossa geração, nossos pais e amigos alimentam algumas verdades dentro de nós, quem nem sempre são nossas. Vamos citar, somente a título de exemplo – na tentativa de ilustrar esse movimento -, um dos pontos mais importantes da vida de uma mulher: a virgindade.
Antes, a virgindade, principalmente para o casamento, recebia uma veneração de maneira ampla e irrestrita. A mulher obrigatoriamente precisava casar-se virgem para ser considerada respeitável. Aos poucos, com a mudança gradual do pensamento da sociedade, com os espaços que a mulher foi conquistando, esse pensamento passou a ser descontruído.
No entanto, por mais que se tenha conquistado um respeito em relação àquelas que  romperam com essa linha de pensamento, é raro não encontrar essa insegurança, esse medo gigantesco quando no momento da primeira relação sexual. O medo do preconceito após a tomada dessa decisão (e não apenas nesse exemplo, é claro) é o que nos paralisa.
Isso, em parte, ocorre pela falta de informação amorosa e aberta sobre o tema. Mais do que ter acesso à conteúdos puramente mecânicos como camisinha, doenças e gravidez, o acolhimento e entendimento sobre a sexualidade, de forma geral, tem vital importância para uma tomada de decisão livre, responsável e consciente.
Fato é que, em qualquer circustância da vida, quando temos acesso à informações onde, mais do que julgamentos, recebemos e nos proporcionamos troca de experiências e acolhimento, nossas decisões passam por uma reflexão; reforçam nossas certezas e nos tornam mais seguras de quem realmente somos.
E não é demais lembrar que esse acolhimento não tem barreiras de idade, de fase da vida ou qualquer outro limitante. Aplica-se a qualquer tomada de decisão relacionada a sexualidade (ou não). Como falado no primeiro texto (se não leu, clica aqui!), o prazer sexual está intimamente ligado ao nosso bem estar como pessoas, ao nosso amor próprio, a nossa consciência sobre nós mesmos, a aceitação e conhecimento de quem somos e das nossas origens.
Nosso objetivo principal com esse compartilhamento de informações é que, a partir dos nossos papos e exposições, nossas escolhas passem a ser realmente nossas, passem a ser conscientes e reflexivas. Por óbvio que isso não significa um rompimento com o então seguido por nós; bem longe disso, aliás. O respeito ao nosso “eu do passado” e às nossas escolhas fazem parte desse processo do ser “simplesmente nós mesmos” (Leia: Sobre a flor que também é Rocha). É, inclusive, um exercício de gratidão; afinal, foram essas escolhas, foram os nossos caminhos até então percorridos, que nos trouxeram à pessoa que somos HOJE.
O que se propõe, é que através da amplitude de conhecimento, nós possamos ter uma consciência crítica e responsável sobre nossas escolhas. Se optamos por um caminho, que saibamos o quê, como, quando e porquê dessa opção. Que esse caminho seja pleno, com amor e reflexão de escolha, tornando-a prazerosa. Que saibamos identificar, trazendo atenção para dentro, para nossas raízes e nossas flores, o que nos torna nós mesmos e o que queremos a partir disso; se queremos mudar o nosso rumo ou seguir da forma que está. Essa escolha só será efetivamente verdadeira, genuinamento livre, se soubermos o que nos conduziu até ela.
Sim, é uma conversa densa. Aos poucos, vamos nos aprofundado sobre esse tema e refletindo sobre a importância e as consequências que uma informação acolhedora traz à nossa vida. No nosso próximo papo,  passamos a adentrar no entendimento do ato sexual: suas fases e ligações. Daí então, começaremos a sentir como essa consciência vinda da informação, abordada no texto de hoje, repercute de forma direta no ato sexual em si.
Até lá!
Texto escrito e revisado por Aline Vieira da Rocha e Joana Verani.

Escrito por Aline Vieira da Rocha e Joana Verani

Sobre a Flor que também é Rocha

Em 2014 eu me casei e, durante dois anos e meio, sustentei os sonhos do meu casamento. Ainda que minhas expectativas fossem todas em sentido diverso, nós nos divorciamos. Sim, divorciamos. E não é só uma palavra de peso não: é um status de peso.

Vislumbrei, quase que numa epifania, como a nossa visão está distorcida sobre esse tema e me dei conta do meu propósito: disseminar esse tema como profissional capacitada e como MULHER que também carrega sua história.

É um momento de lidar com as questões a nossa volta, mas principalmente com as questões dentro de nós mesmas. O meu di-vór-cio, com todas as suas letras e fonemas, foi também um convite (nada sutil) para que eu entrasse em contato com aquele novo ser humano que olhava para mim no espelho: Eu. Mais precisamente a “nova e sozinha eu”.

A partir desse olhar para o próprio reflexo, a “nova e sozinha eu” vislumbrou que a aquela outra “antiga e acompanhada eu”, que sorria vez ou outra em fotos, vivia um relacionamento abusivo; precisava de mais amor; e talvez de algo a mais no trabalho. Comecei pelo último.
A vida tem dessas coisas. Um pequeno toque no leme, um vento que sopra diferente e lá se vai a nossa embarcação para um rumo completamente diferente. Eu, que já trabalhava com gestantes e como instrutora de pilates, fui em busca de uma especialização. Encontrei a fisioterapia pélvica. Já no primeiro módulo (e nada acontece à toa) o tópico discutido foi de sexualidade feminina. Pronto. Eu já tinha encontrado meu algo a mais.
Isso porque quando a gente fala sobre sexualidade feminina, falamos de muitos tabus, moralidade, sonhos, vontades, corpo e cabeça. Vislumbrei, quase que numa epifania, como a nossa visão está distorcida sobre esse tema e me dei conta do meu propósito: disseminar esse tema como profissional capacitada e como MULHER que também carrega sua história.
Aliás, o mais bonito desse processo foi justamente perceber o quanto a minha própria história me auxilia nessa nova empreitada todos os dias. As dores do meu relacionamento e do divórcio trouxeram a empatia, o esclarecimento e a vontade de ouvir e solidarizar. Hoje eu já não sou mais a “nova”, mas sim a reunião da minha história; hoje eu finalmente sou Aline Vieira da Rocha.
Trouxe para vocês o meu relato particular, para inaugurar o nosso espaço de compartilhamento de histórias. Caso você se identifique e queira compartilhar, escreva também! Nesse espaço, principalmente, o dividir se transforma em multiplicar. Sua identidade será preservada (se assim o desejar).

Escrito por Aline Vieira da Rocha